Arte de Rua como Trabalho

“Arte de RUA é trabalho? Fala sério, o que você faz da vida?”

  • Sim, arte de rua é trabalho, é escola, é terapia, é protesto… e muito mais!

Comecei com esse desafio há quase 4 anos, em Paraty/RJ (um dos melhores lugares que já atuei até hoje no Brasil), mas só fui entender realmente esse ofício alguns anos depois, em situações um pouco mais intensas.

Dei a sorte de iniciar em um cenário “gourmet”, um verdadeiro shopping à céu aberto (cena que também senti em Morro de São Paulo/BA e Porto de Galinhas/PE), mas em cidades grandes ou lugares menos turísticos a realidade é muito mais trash!

Tive que aprender a me virar na rua pra não ser engolido por ela! – Já tentaram me roubar e já tiveram medo de mim… já tive dias de “pop-star”, e dias que pareciam não ter fim.

Experiências, quantas vivências tenho na memória, que é só fechar os olhos, revivo várias histórias. Do viciado em crack que correu levando meu violão, aos amigos inesperados que viraram mais que irmãos. E quando me perguntam se vale a pena tanta emoção, digo com a boca cheia que NADA foi em vão!

Ganhando horas de vôo e conhecendo colegas pelas cidades, artistas de diferentes modalidades, malabaristas, artesãos, poetas, multi-instrumentistas, estátuas, grafiteiros, pessoas de todas as idades. Na maioria jovens que não deixam de sonhar, que às vezes até se perdem, mas que depois de caírem voltam a acreditar.

A rua tem muitas armadilhas, das drogas legais e ilegais, à repercussão dos ignorantes fascistas. Às vezes até a polícia, que deveria nos proteger, mas acaba sendo corrompida e não consegue compreender. Mas isso faz parte da conquista, Arte de Rua no Brasil, não é qualquer um que aguenta ficar na pista!

Nos primeiros 2 anos toquei apenas sentado em ruas movimentadas, impossível sobreviver só com arte, tinha que fazer outras paradas. Vendi lanches, sucos, saladas de frutas e empanadas… fui barman, faxineiro, faz-tudo, participei de várias jogadas.

Até chegar em Recife e aprender a tocar dentro de transportes públicos, pra modalidade músico, essa é a melhor fonte de recursos. Subir e descer do busão até perder as contas, e ao colocar a mão na bolsa ver moedas, não são poucas… e chegar em casa suado com a voz rouca, mas com o sentimento de missão cumprida, hoje eu que pago as jantas loucas!

Não existe fórmula mágica, plano de carreira, hierarquia. Ser artista de rua é fazer a realidade virar utopia. Quando vestia social, nervosinho com trânsito do dia-a-dia, nem imaginava que ia ralar muito mais, suar a camisa e ainda esbanjar alegria!

“Arte de Rua parceiro, esse é o cartão de visitas, Autoconhecimento, Educação… essa é a conquista!”

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